As sutilezas dormem nos ouvidos dos parvos

Wednesday, January 03, 2007

Os poderes místicos da cerveja...




Aí vai um trecho do meu livro novo: A cerveja Metafísica.




(Alberto)


“Eu tive esta idéia quando estava mijando. Então pensei como isto pode acontecer nas horas mais impróprias...”.



Fiquei pensando nessa frase que o Carlos me disse sábado no Snooker. Posso dizer que essa é uma das sensações mais inusitadas, mas tenho que admitir que é verossímil.Descobri isso hoje. Depois de assistir a um filme longo o bastante para encher a bexiga e a paciência do espectador, me levantei para ir ao banheiro com os pensamentos todos embaralhados e à medida que ia descarregando a bexiga, as idéias iam fazendo sentido, aí me lembrei do que o pirado do Carlos tinha dito e isso me deixava ainda mais ansioso, “droga e agora como vou escrever isto? Onde raios foi parar a caneta?”.


A idéia é a de um personagem que sente já ter esgotado todo o sentido da sua vida, que acha que já viveu tudo de importante que tinha que viver, porém não pode fazer nada a não ser continuar vivendo. E corresponder ás expectativas daqueles que es-peram que ele seja como sempre foi.Como se nada tivesse acontecido, como se ele não tivesse o direito de mudar, de querer ser outra pessoa.É o mínimo que poderia esperar deles.Estava cansado de tudo. Havia muita coisa errada.
Quer consertar ao menos o indispensável à sua sanidade, pode fazer isso, ainda estava no controle. É lógico, é difícil, às vezes se sentia impotente. E por que todos tinham que tornar isso ainda mais difícil?
Às vezes ele se sente como o jogador que anseia o fim do jogo porque sabe que seu time já perdeu, que a partida já foi decidida há muito tempo e que não dá mais pra virar o jogo. É só uma questão de tempo.
A vida é um jogo. E ele estava perdendo de três a zero aos quarenta e oito do segundo tempo.
Mas todos querem que ele cumpra seu papel até o fim.
Que ele siga acreditando, tendo falsa e hipócrita esperança.
Por certo há aqueles que tenham motivos para ter espe-ranças, ele sabe que o mundo não sabe da sua derrota, ele sabe que os outros não podem saber do seu drama, não podem saber que a batalha da sua vida já foi decidida em algum momento no passado. Por isso tem de seguir calado. Como eles poderiam saber? Tem medo de dizer aos outros o que sabe, não sabe como dizer, o que iriam pensar?
Então segue com sua grande covardia.

Mas não pode aceitar que o vejam como um fraco, como um covarde. Não quer impor aos outros a sua fraqueza para que não sofram. Seria a vergonha daqueles que o admiram.

Por isso faz da sua fraqueza a força de continuar vivendo, um dia após o outro. Senão por si, ao menos por aqueles a quem ama. Esta é a sua grande coragem.
Este é o modo pelo qual sua existência ganha finalidade, correspondendo às expectativas daqueles a quem ama.
Ainda que não possa corresponder ás próprias expectativas.
Mas não seria isto a maior das covardias?

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